quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sobre renúncias



Adeildo Filho

Renúncia. Taí outra palavra que vem perdendo seu significado ao longo do tempo.

Sempre que ouvia essa palavra minha mente automaticamente a conceituava como algo nobre, ou seja, alguém que possuía um imenso direito abriu mão dele e do benefício dele em favor de outra pessoa. Mais ou menos como uma mãe que renuncia seu tempo e suas noites em favor do filho, ou então o avô que renuncia o dinheiro de sua aposentadoria para que o neto possa estudar em um colégio melhor. Invariavelmente a renúncia (na minha cabeça é claro) significa deixar, abandonar ou desistr de algo bom e não substituí-lo por nada além da vontade de fazer o que é certo, o que é bom.

Pois bem, os anos vão passando, o amor vai esfriando e a renúncia começa a ter outro sentido. Renuncio uma coisa que a meu ver não é tão boa assim em favor de outra que considero melhor. Deixo, abandono e desisto daquilo que não tem mais valor para mim e vou em busca de algo melhor.

A verdadeira renúncia foi exemplificada por alguém que abandonou toda a sua glória para que os nós-cegos (como eu) pudessem achar uma saída. De quebra substituiu o seu manto pela pele nua, sua coroa por espinhos, louvores por cuspos na cara e seu trono por uma cruz.

Realmente não se fazem mais renúncias como antigamente.

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